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domingo, 14 de fevereiro de 2010

CANQUELIFÁ (Cart 2439) - B0 - Em memória a José Manuel Justino Laranjo ... e a todos os outros. (I)

Joaquim Laranjo, Operador Cripto, 3. º Lugar no seu curso, mobilizado em rendição individual para o CTIMoçambique.
Com a morte de seu irmão José Laranjo, contra sua vontade, o seu pai conseguiu desmobilizá-lo. Ficou adstrito ao BRT (Trafaria) até final do seu tempo de tropa, 40 meses. Frequentador assíduo dos nossos Almoços de Convívio, em memória de seu irmão, foi sempre considerado como um dos nossos, pertence ao Batalhão de Artilharia n. º 2857 por própria honra.

     Em Memória a José Manuel Justino Laranjo, 1. º Cabo Aux Enf. da Companhia de Artilharia n. º 2439, com sede em Canquelifá ... e a todos os outros, que com ele se viram envolvidos em acidente militar ocorrido no dia 07 de Outubro de 1969.

     «No dia 07 de Outubro de 1969, pelas 06H30 saiu, de Canquelifá para Dunane, uma coluna, como sempre, precedida por uma equipa de picadores, acompanhada de dois grupos de combate da Cart 2479, um que ficou ao longo do itinerário montando segurança, outro que acompanhou até ao limite do subsector.

     Nada de anormal foi notado, tendo a coluna e o pessoal da segurança, regressado ao Aquartelamento, cerca das 12H00.

     Às 15h00, nova coluna saiu de Canquelifá para Dunane, decorrendo o percurso sem incidentes, mas, no regresso, a cerca de 2 km do Aquartelamento, uma segunda viatura accionou uma mina A/C reforçada, tendo ficado quase destruída, e gravemente feridos todos aqueles que nela seguiam.
    
     O rebentamento foi ouvido no Aquartelamento cerca das 16H30.
    
     Pouco depois chegava uma viatura GMC que vinha à testa da coluna, e que passara no local sem accionar a mina, informando do que sucedera e pedindo socorros, pelo que saiu, imediatamente uma força constituida por um Grupo de Combate, 2 Secções de Picadores e Pessoal de Enfermagem, tendo-se cruzado com um Unimog que trazia alguns feridos, pois ficara um, no local do desastre, entalado debaixo da viatura.

     Montada a segurança, iniciou-se uma picagem da zona, ao mesmo tempo que se libertava dos destroços, o ferido que faltava socorrer.

     Depois, já quase noite, ao reorganizar-se a coluna de regresso, um Unimog accionou outra mina, não detectada, sobre a qual já haviam passado várias viaturas, daí resultando mais feridos e a destruição daquela. Finalmente posta em movimento, uma coluna regressou ao Aquartelamento pelas dezanove horas.

     Morreram, Em consequência dos ferimentos sofridos:

          1. º Cabo Aux.Enf. - José M. J. Laranjo / Cart 2439
          Soldado               - Manuel de Jesus Ferreira / Cart 2439
          Soldado               - Joaquim Ferreira Carvalho / Cart 2439
          Soldado               - Manuel José C. Parreira / Cart 2439
          Soldado Ultram     - Satone Colubali / Cart 2479

    Ficaram feridos gravemente, sendo evacuados para o HM 241, os seguintes militares:
     CART 2439
          Soldado               - Fernando da Silva Barbosa
          Soldado               - Avelino Nogueira de Sousa
          Soldado               - José Joaquim Alves da Costa
          Soldado               - José Jerónimo da Silva
     CART 2479
          1. º Cabo             - Francisco Custódio O. Marques
          Soldado               - Fernando da Silva Duarte
          Soldado Ultram     - Braima Seide
          Soldado Ultram     - Aliu Jalo
          Soldado Ultram     - Sajo Baldé
          Soldado Ultram     - Amaduri Camará
          Soldado Ultram     - Guilage Baldé
          Soldado Ultram     - Mamadu Colubali

     Faleceu também no acidente, uma criança de 5 anos - Babucar Jamanca - que vivia no Aquartelamento, e que seguia na coluna por um ter ido Dunane visitar o avô, sua única família.




Pereira da Costa, ex-Furriel miliciano Oper Info CCS / Bart 2857

(continua)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

PICHE (CCS) - A3 - MAJOR CORAJOSO ....!

Caros amigos, sou o Francisco Pereira, ex-Soldado Rec.Info., pertencia à CCS / Bart 2857, sediada em Piche.
Para quem já não se lembra de mim, servia na messe dos oficiais, com o meu amigo Américo, também ex-Soldado Rec. Info., além de outros.
Aqui, vou contar um «episódio dramático», da minha forçada estadia durante 23 meses em Piche, que ficou gravado na minha memória, e enquanto viver, não o esquecerei, tal a brutalidade do acidente e do drama humano que se segui.
O acidente ocorreu quando eu estava de serviço de sentinela do lado da bolanha, no dia 21 de Julho de 1969.
Num momento, virei-me para o lado da bolanha e vi alguém aproximar-se do lado de dentro do arame farpado, que servia de vedação ao Aquartelamento e, de repente, sem que eu pudesse perguntar-lhe porque razão ele passava ali, já tinha saltado a primeira fiada de arame farpado e, foi no momento que ele percorria o espaço que separava a primeira da segunda fiada de arame farpado, que provocou uma enorme explosão, nesse instante, já eu ia nessa direcção, mas, ainda estava um pouco distante.
Imediatamente, fui a correr para o local para ver quem era e para lhe prestar socorro.
Quando cheguei ao local, nem queria acreditar naquilo que os meus olhos estavam a ver, tratava-se do Loureiro ex-Fur Mil (vaguemestre); encontrava-se com o corpo da cintura para cima no chão e o que restava das suas pernas, enroladas no arame farpado; tentei desenrolar as peles que restavam das suas pernas, para evitar que não sofresse tanto, atendendo à posiçãO em que ficou, o que consegui.
Como ele viu que eu estava com uma G3, a arma de serviço, não dizia outras palavras senão estas:«Pereira, tens uma arma mata-me. Dá-me um tiro na cabeça porque eu não quero continuar a viver sem as minhas pernas ».
Entretanto, começou a chegar mais gente, e começamos a levantá-lo para o retirar da posição e do local onde ele estava, mas com muita precaução e com medo que houvesse mais alguma mina, e que rebentasse.
Sim meus amigos, minas mandadas colocar pelo nosso Segundo Comandante Major Gaspena, um homem muito corajoso, que para se proteger do inimigo não encontrou outra solução senão armar uma ratoeira para que lá caíssem os seus subalternos, prova essa que mandou armadilhar a vedação, e devia ter avisado todo o pessoal o que não o fez; nesse local, o nosso amigo e camarada ex-Fur Mil LOUREIRO não teve sorte, porque nesse dia teve a ideia de ir dar um passeio até às tabancas, que se situavam do lado da bolanha e, como não estava ao corrente de que essa vedação se encontrava armadilhada, passou pelo local para encurtar caminho, mas, infelizmente, lá deixou uma das coisas que nós temos de mais precioso foram, como as suas pernas. Assim ficou mutilado para toda a vida, por culpa desse «Incompetente », Major corajoso ...!
Depois desta tragédia foi interrogado sobre a razão da colocação das armadilhas e da razão porque não fora avisado todo o pessoal?
Ou que respondeu que tinha agido muito bem, porque caso não o tivesse feito, o inimigo poderia vir a saber e já não passava por lá. Foi tranferido (para onde, nunca o soube) e que tinha sido condenado em vinte dias de prisão. Pouco para quem foi responsável por uma acção desta gravidade.
Para mim, foi o episódio, de todos, o mais terrível de suportar, só de pensar que fui testemunha desse «Acidente!» e que fui impotente para o evitar; mas já era este o destino do ex-Fur Mil LOUREIRO.
Há dias soube que este nosso amigo e camarada tinha falecido. Onde ele estiver, digo-lhe em pensamento «Descansa em paz, amigo LOUREIRO ...».
Quero, ainda, acrescentar que se esta minha «Trágica Estória» venha a chocar algum dos nossos leitores e camaradas, não foi esta, deveras, a minha intenção, simplesmente, recordar a sua memória, pois agora já não pertence ao reino dos vivos, e peço desculpa por isso.
Em relação a esse corajoso Major ...!, ainda tenho mais episódios para recordar e contar, mas fica para outra ocasião.
Um abraço, Francisco Pereira.



«Este episódio foi dedicado a toda uma sua família e, especialmente, em sua memória. Paz à sua Alma, ex-Fur Mil LOUREIRO »

Francisco Pereira, ex-Soldado Rec Info CCS / Bart 2857, em Piche
França

«Fur Mil n. º 01908866, Carlos Alberto Loureiro da Silva, evacuado para o HMP, em 21 de Julho de 1969, devido a um acidente.

Extracto História da Unidade do Bart 2857


O moderador presenciou e foi interveniente como escrivão, desse acidente em termos de disciplina militar, não se recorda nem transportaria para esta estória as transcrições do Processo. O Francisco Pereira limita-se a transcrever o que viu, sentiu, e se disse, como é normal nessas oasiões.
Contudo, posso afirmar «que a razão da colocação da armadilha, 100 gramas de TROTIL, sob uma tábua, era unicamente para assustar!, Uma vez que o arame farpado sem se encontrava flexível sem condições de segurança, em virtude, de ser hábito da População utilizar essa passagem, mais directa para a bolanha, local onde lavavam as roupas, caso contrário teriam, de dar uma volta a mais de metade do Aquartelamento, e ficava muito longe e demorado. É, igualmente, verdade que foram avisadas unicamente as Praças, no refeitório, nos dois turnos do jantar, cujo não era no mesmo local do dos Oficiais e Sargentos, não tendo sido estes, efectivamente, avisados. A colocação da armadilha foi da autoria do Comandante do Pelotão de Sapadores ex-Alferes Sapador de Infantaria Vicente Mota, exclusivamente, por ordem e responsabilidade do Segundo Comandante ex-Major Gaspena, e temos que concordar que não existiu o mínimo de sangue frio de bom senso ... deplorável e lamentável.



Pereira da Costa, ex-Fur Mil Oper Info CCS / Bart 2857, Piche
Administrador e Moderador do Blogue «Bart 2857»
Abates ao Efectivo, CCS / Bart 2857
Major de Artilharia CARLOS ALBERTO DA SILVA CASTRO GASPENA, abatido ao efectivo, desde 02MAR70, inclusive, por lhe ter sido dada como terminada, a sua comissão de serviço na CTIG.

Punições, CCS / Bart 2857
Major de Artilharia CARLOS ALBERTO DE CASTRO SILVA GASPENA, punido com 20 dias de prisão disciplinar agravada, por SEXA GENERAL COMCHEFE, em 03FEV70

Extracto da História da Unidade do Bart 2857